poliTICs 1

A ideia de que a Internet deve ser entendida como um bem público, oferecida como um serviço universal e assegurada como um direito tem sido defendida nos mais diversos fóruns por pessoas e organizações que compreendem o potencial transformador da rede e se preocupam em garantir que qualquer pessoa - a despeito de sua localização geográfica, realidade sócio-econômica, sexo, raça, etnia, capacidades físicas e mentais - usufrua das possibilidades que ela oferece. O conceito de Internet para todos ganha, pouco a pouco, perspectivas que aprofundam a concepção do que deve ser acesso universal e incorpora debates sobre a qualidade do acesso, a velocidade, os modelos de conexão que realmente favorecem o desenvolvimento econômico, social e cultural das sociedades, e a criação de ambientes propícios para o empoderamento das pessoas, com foco na construção de novas capacidades e entendimentos sobre a Internet e suas potencialidades.

Neste primeiro número da revista poliTICs, um grupo de pesquisadores, acadêmicos e ativistas no campo das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento apresenta suas visões sobre o desafio de promover uma Internet que seja, de fato, para todas as pessoas.

Esperamos que você aprecie a leitura, participe e opine. O espaço está aberto!

Edição de julho . Ano 2008

A hierarquia das redes de Internet e os custos para o usuário final

O conceito de cadeia alimentar descreve um modelo simplificado de relações de dependência para a perpetuação das espécies no mundo animal (exemplo trivial: minhoca >> galinha >> homem). Na realidade essas relações são bem mais complexas, e o conceito foi substituído já na década de 1920 pela noção de rede alimentar. Os mesmos conceitos da biologia podem ser transpostos quase isomorficamente para as redes físicas e lógicas que compõem a infra-estrutura da Internet mundial.

Redes de pesquisa e Internet: uma introdução

Quando a expressão “internet” surgiu, isto se passou num contexto de interconexão de redes. Naquele momento, ainda não existia o que hoje se conhece por Internet. De fato, a intenção seria tão somente resolver um problema na área de computação, uma ciência recém estabelecida, que se relacionava a uma nova modalidade de construção de redes de comunicação eletrônica, chamada comutação de pacotes. Até aquela altura, na década de 70, poucas redes utilizavam esta nova técnica de enviar mensagens.

Igualdade de gênero através do acesso às TICs e da sua apropriação - uma abordagem com base nos direitos

O forte argumento em prol de uma perspectiva de gênero no acesso e na conectividade às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) se respalda no consenso global articulado na Declaração de Princípios da CMSI, fase Genebra (WSIS 2003: A2, A12), que reconhece tanto o potencial que as tecnologias da informação e comunicação têm para promover “igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres” e as “imensas oportunidades para as mulheres” na sociedade da informação (SI), quanto o desafio de se aproveitar tal potencial para promover essas metas.

Interconexão e o direito humano à comunicação

Desde o final dos anos 60, com o começo do debate que redundaria no famoso Relatório McBride (aprovado pela Unesco em 1980) e o surgimento da Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação (NOMIC), vem se consolidando a ideia de que a comunicação é um direito humano inalienável. Ou seja, o direito a se comunicar é um dos elementos-chave que nos constitui enquanto espécie. Despossuir um ser humano da sua capacidade de se comunicar é o mesmo que despossuí-lo de sua própria humanidade.

Páginas

 

Contato

Liga pra gente+55 (21) 3259-0370

Ou mande um e-mail

 

Endereço

Rua Sorocaba 219 / 501 parte

Botafogo . CEP 22271 110

Rio de Janeiro . RJ

Brasil